Doença Periodontal e Saúde Geral: Existe Relação?

A boca não é um sistema isolado do resto do corpo, e a ciência já documentou isso com bastante solidez.

A resposta direta

O essencial, primeiro.

A periodontite é uma doença inflamatória crônica frequente: sua forma grave afeta 11,2% da população mundial, segundo dados epidemiológicos citados no relatório de consenso de Sanz et al. (2020, Journal of Clinical Periodontology / Global Heart). Essa frequência, somada à evidência de que ela pode se relacionar com outras condições de saúde, é o que torna esse tema relevante além do consultório odontológico.

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Existe relação comprovada entre periodontite e diabetes?

Sim. Segundo o consenso conjunto entre a European Federation of Periodontology e a International Diabetes Federation (Sanz et al., 2018), entre 20% e 40% das pessoas com doença periodontal têm diabetes ou pré-diabetes. A relação também funciona no sentido contrário: pessoas com diabetes têm maior predisposição a desenvolver periodontite.

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O tratamento da gengiva pode ajudar a controlar o diabetes?

Segundo uma revisão sistemática Cochrane (Simpson et al., 2022), citada pela European Federation of Periodontology, o tratamento periodontal está associado a uma redução média de cerca de 0,4% na hemoglobina glicada (HbA1c) três a quatro meses depois, uma magnitude que os próprios autores comparam à de adicionar um segundo medicamento antidiabético ao tratamento. Isso não substitui o acompanhamento médico do diabetes; é um efeito complementar documentado, não um tratamento alternativo.

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E a relação com doenças cardiovasculares?

O relatório de consenso Perio-Cardio (Sanz et al., 2020), organizado pela European Federation of Periodontology e pela World Heart Federation, descreve evidência epidemiológica robusta de que a periodontite aumenta o risco de doença cardiovascular aterosclerótica futura (infarto e AVC, por exemplo). O documento não quantifica esse risco em um percentual único, por isso não apresentamos aqui um número que a própria fonte não define.

Expectativa realista

Sobre esse número.

20%Existe relação comprovada entre periodontite e diabetes
Fonte: consenso conjunto entre a European Federation of Periodontology e a International Diabetes Federation (Sanz et al., 2018).

O que as pessoas costumam perguntar.

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Isso significa que toda doença cardíaca ou todo diabetes vem de um problema na gengiva?

Não, e essa não é a leitura correta da evidência. Diabetes e doenças cardiovasculares têm causas multifatoriais, genética, alimentação, sedentarismo, tabagismo e outros fatores continuam sendo determinantes centrais. O que os consensos científicos mostram é uma associação e uma via de influência mútua, não que a periodontite seja a causa dessas condições.

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O que fazer com essa informação, na prática?

Os próprios relatórios de consenso recomendam que pacientes com periodontite sejam informados sobre esse risco aumentado, e que o cuidado com fatores de risco gerais (tabagismo, sedentarismo, peso, pressão arterial, alimentação) continue central, a saúde periodontal entra como mais uma peça desse cuidado, não como substituta dele. Na prática, para você: manter avaliação periodontal regular é parte de cuidar da sua saúde geral, especialmente se você já tem diabetes, pré-diabetes ou histórico cardiovascular na família. Fontes citadas neste texto: Sanz, M. et al. (2020). Periodontitis and cardiovascular diseases: Consensus report. Journal of Clinical Periodontology, 47 / Global Heart, 15(1). Perio-Cardio Workshop, Madri, fev. 2019 (European Federation of Periodontology e World Heart Federation). Sanz, M. et al. (2018). Scientific evidence on the links between periodontal diseases and diabetes: Consensus report... Journal of Clinical Periodontology (workshop conjunto EFP/International Diabetes Federation). Simpson, T. C. et al. (2022). Treatment of periodontitis for glycaemic control in people with diabetes mellitus. Cochrane Database of Systematic Reviews (dado citado via European Federation of Periodontology).

Sua dúvida merece uma avaliação.

Conteúdo ajuda a entender possibilidades. A indicação depende da avaliação individual e do diagnóstico, conduzidos pela Dra. Claudine Yumika Sassaki Cunha.

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